domingo, 30 de março de 2014

Indígenas obtêm vitória histórica contra ruralistas no STF

Indígenas obtêm vitória histórica contra ruralistas no STF
Ministra garante direitos indígenas contra ruralistas que interpretavam decisão de portaria a seu bel-prazer
Por Luana Luizy
Do Cimi

Em decisão histórica, a ministra Rosa Maria Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), definiu no dia 11 de março que as condicionantes adotadas no julgamento da Petição 3388/RR, que tratou da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, não possuem efeito vinculante. Ou seja, as decisões aplicadas no caso da Raposa não se estendem às demais terras indígenas no país.

Trata-se do Mandado de Segurança da Agropastoril, Madeireira e Colonizadora Sanhaço Ltda, questionando homologatório da demarcação da Reserva Indígena Kayabi, na fronteira dos Estados do Mato Grosso e Pará. Anteriormente, em casos diversos, os ministros Ricardo Lewandowski e Ayres Britto já haviam se manifestado de forma semelhante.

Terras indígenas

Por consequência, a Portaria 303 assinada por Luis Adams, da Advocacia-Geral da União (AGU) perde força, ficando mais evidente que é desprovida de base legal, uma vez que a mencionada Portaria estende as condicionantes a todos os processos administrativos em curso e os finalizados pela Funai. Dentre elas, a vedada ampliação de Terras Indígenas. As 19 condicionantes haviam sido apresentadas, na época, no voto do ministro Menezes Direito, mas a partir daí criaram conflitos desde a publicação do acórdão.

Ruralistas passaram a interpretar a decisão, tentando impedir novas demarcações, enquanto o governo autorizou empreendimentos em terras indígenas sem consulta dos índios, fora isso soma-se o acirramento de conflitos com latifundiários e aumento de violência contra as populações indígenas.

Outro ponto ressaltado pela ministra foi relacionado ao do marco temporal de ocupação. “Terra indígena não é um simples objeto de direito, mas ganha a dimensão de verdadeiro ente ou ser que resume em si toda ancestralidade, toda coetaneidade e toda posteridade de uma etnia”. Deste modo, ainda segundo a ministra. “A tradicionalidade da posse nativa, no entanto, não se perde onde, ao tempo da promulgação da Lei Maior de 1988, a reocupação apenas não ocorreu por efeito de renitente esbulho por parte de não-índios”.

Onda anti-indígena

Um levante anti-indígena segue em curso no Brasil, de Sul a Norte são inúmeros os casos registrados de incitação e até práticas de violência contra os povos originários. Vide o “Leilão da Resistência” convocado pela Associação dos Criadores do Mato Grosso do Sul (Acrissul) e Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), que contou com a presença da senadora e presidenta da Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), Kátia Abreu (PMDB-TO).

O objetivo do leilão da resistência era angariar recursos para financiar ações contra os indígenas no Mato Grosso do Sul, conforme amplamente divulgado nos meios de comunicação. Em um primeiro momento, a juíza titular suspendeu o leilão afirmando que “a vida vale mais que o patrimônio”. Na sequência um juiz convocado autorizou o leilão, condicionando que os recursos fossem depositados em uma conta judicial e em caso de descumprimento incidiria em multa.

O juiz ainda estipulou um demonstrativo assinado pelo leiloeiro contendo toda a movimentação financeira do leilão, incluindo o nome dos doadores, o valor inicial e final do lance e o nome do arrematante. Na análise, o juiz afirma estar em jogo o direito a vida versus direitos econômicos. A Acrisul entrou com pedido de liberação do dinheiro, mas o pedido foi recusado e no momento os recursos arrecadados no “leilão” encontram-se bloqueados.

Conquistas e novos desafios

O povo Xavante conseguiu ter reconhecida como de ocupação tradicional a Terra Indígena Marãwatsédé, no Mato Grosso. No caso, o Tribunal Regional Federal (TRF 1°) seguiu a jurisprudência sobre ocupação tradicional e após 17 anos de espera, o povo Xavante pôde finalmente retornar a terra de seus ancestrais e recuperar o que foi perdido.

A história se repete no Maranhão, onde segue em curso a desintrusão de não-índios em território dos Awá-Guajá, local bastante especulado por madeireiros. Em resposta a estas conquistas, os ruralistas, contra o estado democrático de direito, tentam potencializar conflitos com ações ilegais.

As declarações racistas dos deputados Luis Heinze (PP) e Alceu Moreira (PMDB) comprovam isso. Nos discursos os deputados incentivam os agricultores a violência contra os indígenas. Em uma Audiência Pública sobre Demarcação de Terras Tradicionalmente ocupadas por Povos Tradicionais, em 2013, no município de Vicente Dutra (RS), Alceu Moreira afirmou: “Se fardem de guerreiros e não deixem um vigarista destes dar um passo na sua propriedade, nenhum. Nenhum. Usem todo o tipo de rede, todo mundo tem telefone, liguem um para o outro imediatamente, reúnam multidões e expulsem do jeito que for necessário. Até porque, quando expulsar não vão expulsar índio daqui, vão expulsar índios que foram orientados de fora para cá”.

Opressão

Nessa mesma audiência, Heinze, referindo-se ao gabinete do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse: “e ali, estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo o que não presta, ali estão alinhados. Por isso, pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como no Pará estão fazendo. Façam a defesa como o Mato Grosso do Sul está fazendo. Os índios invadiram uma propriedade, foram corridos da propriedade. Isso que aconteceu lá”. Clique no link para ver o vídeo

Apesar do pensamento racista da bancada ruralista e outros setores governamentais, a decisão da ministra ao reconhecer o marco temporal representa um passo para a garantia dos direitos constitucionais dos povos tradicionais, a fim de que eles possam ocupar suas terras e pluralidade conferida nelas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Quem foi que disse que não vivemos em uma ditadura?


Justiça proíbe protesto contra empreendimento imobiliário

Por André Takahashi e Lino Bocchini*

Em frente a uma construção na Vila Mariana, bairro nobre em São Paulo, pedestres eram convidados a subir em uma escada e a espiar por cima de um muro. No topo dos degraus, eles se deparavam com um terreno de quase 10 mil metros quadrados em obras, onde insistentes poças de água brotam do chão mesmo nas semanas mais secas.
A ideia da intervenção, feita pelo “Movimento O Outro Lado do Muro”, era chamar atenção para o impacto da obra. O movimento contesta a legalidade da construção, que estaria descumprindo legislações ambientais. Segundo o grupo, ela se localiza em área protegida pelo código florestal e impacta também na mobilidade do bairro.

Intervenção na frente do prédio. Foto: Facebook/O Outro lado do Muro
Intervenção na frente do prédio. Foto: Facebook/O Outro lado do Muro
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O protesto, porém, está proibido pela justiça desde março. O juiz da 34ª Vara Cível, Adilson Aparecido Rodrigues Cruz, impediu o porta-voz do movimento, Ricardo Fraga Oliveira, de fazer qualquer manifestação em um raio de um quilômetro do empreendimento. Ele não poderá mais fazer protestos com megafones, carros de som, afixar cartazes e faixas.
O impedimento se estende à internet e às redes sociais, onde Ricardo e a página do movimento no facebook estão impedidos de fazer novos posts. Posteriormente, na quarta-feira 26 de março, o desembargador Moreira Viegas estabeleceu multa diária de mil reais caso a página “O outro lado do muro – Intervenção Coletiva” continuasse no ar cinco dias após a decisão.
600 horas de protesto
O movimento alega que, dentro do terreno, esteja canalizado o rio Boa Vista. Pela regra do Código Florestal, haveria um limite de 30 metros para ser construído no entorno das águas. Pelo código de obras da cidade, seriam somente dois metros de cada lado. A defesa da construtora alega a inexistência do Rio.


Baseado na existência do rio, os protestos começaram a ser feitos em junho de 2011 e duraram “mais de 600 horas”, segundo Oliveira. Ele conseguiu a suspensão da obra em julho do ano passado, mas a empresa conseguiu uma liminar para voltar a construir em fevereiro deste ano.
Em audiência pública na Assembléia Legislativa de São Paulo movimentos da cidade condenaram esse ataque à liberdade através de medidas judiciais. Além de Ricardo, outros cidadãos e movimentos contra a especulação imobiliária compartilharam situações semelhantes em seus depoimentos, as vezes em ações impetradas pelos mesmos advogados em diferentes empreendimentos pela cidade.

Obras da construção na Vila Mariana Foto: Facebook/O Outro lado do Muro
Obras da construção na Vila Mariana Foto: Facebook/O Outro lado do Muro
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Em sua defesa, a construtora diz que Ricardo “incitou a coletividade a posicionar-se contrariamente ao empreendimento lançando mão para isso de inúmeros e ilegítimos meios de persuasão.” Em outro momento, o advogado diz que “a conduta do réu (…) em muito se distancia do altruísmo, sendo impulsionada por razões inconfessáveis e por suas pretensões políticas.”
Em sua defesa, o advogado diz que Ricardo utiliza do cargo que ocupa para conseguir informações sobre o empreendimento, incluindo mapas e plantas. Oliveira trabalha como “especialista em desenvolvimento urbano” na prefeitura da cidade. Ele, porém, diz que a acusação é “ridícula”, já que os mapas são públicos.
*Colaborou Piero Locatelli
FONTE CARTA CAPITAL

Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa


Redes sociais convocam reunião em defesa do 'Viomundo'

Luiz Carlos Azenha anunciou fim do blog após ação judicial movida pelo diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel
1º/04/2013


Movimento surgido no sábado (30) nas redes sociais está convocando uma reunião em defesa do blog Viomundo para as 17h desta terça-feira (2) na sede do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé – rua Rego Freitas, 454, 1º andar, República, centro de São Paulo.
Na sexta-feira (29) à noite, após tomar conhecimento de que perdera uma ação judicial movida por Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo, o jornalista Luiz Carlos Azenha, responsável pelo Viomundo, anunciou o fim do blog.
Azenha argumenta que não tem como pagar os R$ 30 mil impostos pela sentença, mais os gastos que terá com advogados para recorrer em outras instâncias, e, ao mesmo tempo, manter o blog. E desabafa:
“Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão— entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim. Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual”.
Confira a íntegra da nota divulgada por Azenha para anunciar o fim do blog:

Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa

por Luiz Carlos Azenha

Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.
Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.
Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.
Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.
Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.
Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.
Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Vejapara escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.
Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.
Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.
Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.
No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.
Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.
Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.
Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.
Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.
Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.
Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.
O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.
Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.
Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?
O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.
Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.
Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.
Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão— entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.
Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.
E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.
Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.
Eu os vejo por aí.

PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.
PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Imóveis ociosos, população sem moradia. (Brasil de Fato)


Imóveis ociosos, população sem moradia

Cidade possui 230 mil imóveis vazios e ao menos 130 mil famílias sem ter onde morar; região central tem explosão do preço do imóvel

05/10/2012

Aline Scarso,
da Reportagem

Segundo o Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU), em São Paulo os sem-teto representam uma população de centenas de milhares de famílias trabalhadoras com renda entre zero e três salários mínimos, que moram nas ruas, favelas, ocupações, cortiços ou na periferia em áreas de risco e sem regularização fundiária. Precisam substancialmente da ajuda do governo para financiar moradias. “Quando falamos em sem teto, nos referimos a pessoas que têm seu direito constitucional de moradia digna negada. Trabalham, em sua maioria, no setor informal em funções mal remuneradas”, explica Brian Mier, integrante do FNRU.
De acordo com Osmar Borges, coordenador da Frente de Luta por Moradia (FLM), a cidade possui 230 mil domicílios vazios, sendo 40 mil no centro expandido. “Isso são dados do próprio IBGE. Ou seja, só o centro expandido poderia receber 40 mil novos inquilinos se existisse uma política adequada para trabalhar com os imóveis vazios, dando uma função social para eles”, ressalta.
   
   Despejo de famílias no centro de São Paulo - Foto: Marcelo Camargo/Abr
Morar no centro da cidade garante às famílias acesso a trabalho e a serviços públicos como escolas e hospitais. Conforme lembra Juscilene Pereira dos Santos, moradora da ocupação São João, desde que mudou da periferia para o centro, a vida da família está bem mais organizada. “Aqui é tudo mais fácil. Minha filha saiu do emprego em um dia e no outro, já estava trabalhando em um melhor. É muito mais fácil ir a um médico também. Na periferia você fica dois, três meses para passar por uma consulta de rotina. Aqui você vai ao posto de saúde, marca consulta e depois de três dias já pode retornar. Encontrar vagas nas escolas também é mais tranquilo”.
Apesar da boa infraestrutura, está cada vez mais difícil ao trabalhador de baixa renda conseguir permanecer na região. Conforme pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com a ZAP Imóveis, entre janeiro de 2008 a novembro de 2011, o preço médio do metro quadrado valorizou 119,3% no bairro da Sé, 128,8% no Bom Retiro, 129,2% na República, 133,9% na Santa Efigênia. Nesses bairros centrais o preço médio do metro quadrado de um apartamento custa entre R$ 3 mil a R$ 4 mil. Um aluguel de um apartamento de 40 metros não sai por menos de R$ 1.200. O valor de um quarto em um cortiço da Rua Conselheiro Nébias, no bairro Campos Elíseos, custa, por exemplo, R$ 500.
“Para uns, o centro é local de trabalho e um meio de vida, para outros, um meio de extração de lucro e renda. O capital imobiliário não convive com núcleos de pobreza porque esses núcleos impactam o preço do metro quadrado. Só que ele não tem a competência de tirar a pobreza do centro, não tem o papel de polícia, quem tem é o Estado”, argumenta a urbanista da Universidade de São Paulo (USP), Ermínia Maricato.
Interesses distintos
Ermínia chama a atenção para a falta de políticas públicas que privilegiam a habitação de interesse social na região. Há, em contrapartida, investimento municipal nas chamadas políticas de revitalização, que vão desde a recuperação de museus ao lançamento de megaprojetos urbanísticos como o Nova Luz, na região da Santa Ifigênia – que deve atingir um enorme contingente de moradores de baixa renda e trabalhadores do comércio popular.
Para os trabalhadores despejados, a principal política municipal tem sido o pagamento do bolsa-aluguel no valor de R$ 300 por dois anos. E se depender dos maiores financiadores das eleições municipais em São Paulo, as construtoras, a lógica de fazer prevalecer os interesses do setor não deve mudar. De acordo com as prestações de contas parciais divulgadas pela Justiça Eleitoral, somente a construtora OAS doou R$ 1.750 milhões às candidaturas de Fernando Haddad (PT – R$ 1 milhão) e José Serra (PSDB – R$ 750 mil).
Para o integrante do Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU), Brian Mier, a associação dos candidatos com o setor deve resultar em novas construções populares na cidade, mas não necessariamente deverá garantir o direito à cidade. “Precisamos de mudanças radicais para ter construções que respondam aos desejos dos moradores e não à lógica do mercado. Nem todo mundo quer morar em apartamentos de 38 metros quadrados sem quintal, sem espaço para família crescer, a duas horas de ônibus do lugar de trabalho”, pontua.
Segundo os analistas, somado à vinculação dos políticos ao setor imobiliário nas eleições municipais, está a manutenção dos projetos imobiliários iniciados pela administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD), a falta de planejamento urbano a nível estadual e federal, e o esforço dos governos para oferecer uma boa imagem de São Paulo durante a realização da Copa do Mundo, em 2014.
Brian ressalta ainda que há iniciativas como a criação do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social pelo governo federal como respostas às pressões das lutas urbanas. O fundo é usado para apoiar a formação de mutirões de construção autogestionária e foi incorporado pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Atualmente na periferia de São Paulo estão sendo construídas 15 conjuntos habitacionais pela União Nacional por Moradia Popular a partir do fundo.
“Mas nós do FNRU temos várias criticas sobre o programa e no dia 14 de junho nos reunimos com a presidenta Dilma Rousseff para cobrar a cessão de áreas públicas. Tivemos poucos resultados concretos sobre a questão de conversão dos milhares de prédios vazios em São Paulo para moradia popular”. Outro problema, segundo ele, é a retenção dos recursos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) pelo governo estadual, que não está repassando 1% do ICMS à habitação.
“O governo não está fazendo o papel dele. Ele trabalha mais para a alta sociedade, e contra a baixa e média sociedade. Eles não veem a gente, não querem fazer valer o nosso direito, que é obrigação deles, que é lei”, defende o morador da ocupação São João, Rogério Gerôncio da Silva. “Chega essa época de eleição e eles vêm correndo atrás da gente. Ficam prometendo o céu e a terra, mas depois dão uma de esquecidos”, argumenta.

sábado, 6 de outubro de 2012

"Eles" não fazem políticas sociais; Fazem propaganda!


Se a forma como as decisões sobre as nossas vidas, são realizadas pelos instrumentos políticos de maneira que não venha a nos contemplar, o que dizer então desta degeneração que observamos repetir se de dois em dois anos em nosso país.

Como órfãos de políticas públicas, querem nos empurrar goela abaixo que o Orfanato e a troca dos seus administradores irá modificar radicalmente a quantidade de pão sobre a mesa; os minutos há mais de atenção na consulta médica; que será dada atenção à educação; que o transporte voará por sobre os engarrafamentos; que haverá mais segurança nas ruas; entre outros.

Eles não fazem políticas sociais. Fazem propaganda. É mais fácil enganar o povo com um instrumento que transforma mentiras em verdades e ao qual todos já estão familiarizados: marketing televisivo. Deste modo, você não dá, mas promete que dá e o efeito é como se desse. Na prática isto funciona bem, afinal, àqueles que sempre esperam a concretização da promessa, estão inseridos em uma relação de dependência com àqueles que prometem.

Aquele que depende é, sobretudo, um despossuído e a sua crença reside no fato de que ele acredita que aquele que promete irá suprir a sua falta. Dizendo de outro modo, falaremos de cães, já que há uma disposição maior da sociedade contemporânea para com os caninos e outra muito menor ou inexistente para com os seres humanos. Bem, digamos que é a mesma situação que se observa quando se quer que um cão faça determinada coisa. Dá-se a ordem e espera-se que ele, o cão, execute. Após executar, o mesmo recebe uma porção de ração, mas se não receber, daquele que ordenou a tarefa, já terá executado a ordem. 

Há dentro desta situação uma relação de poder clara, que em períodos eleitorais se invertem, de tal modo que seria como se os cães dessem ordem aos seus donos. Este momento de sensibilização das relações de poder é controlado, por isso permitido. Isto dá-se porque aqueles que são a elite econômica do nosso município, possuem unicamente o poder econômico, que é transmissível como herança, mas NECESSITAM, por sua vez, do poder político para realizarem os seus interesses privados.

Heis que surge, portanto, um obstáculo para a elite econômica paulista, afinal, o poder político só pode ser adquirido, em um regime republicano que observe uma dinâmica dentro da normalidade institucional, com o seu voto! Agora imagine que para conquistar o voto do cão o dono deve antes de tudo conquistar a simpatia do mesmo. Como, dar a ração, quebra com a relação de poder e a hierarquia que o dono tanto preza, é mais conveniente ao mesmo rolar no chão, pedir cafuné aos cães, dar a patinha, fingir de morto, tornar-se cão, etc.

Armada a armadilha circense eleitoral, sobram beijos em crianças. Abraços e afagos acalorados nos eleitores. Sorrisos ensaiados. Partidários contratados pra fazer volume e sair na foto. Churrascadas ilegais, mas mascaradas sob o teto de associações de bairro. Reuniões com mídias televisivas, radiofônicas e impressas. Ambulâncias com o nome dos candidatos. "Trenzinhos" puxados por carro para levar crianças. Bexigas de ar. Algodão doce entre outras pavonices de variada natureza que levam os eleitores a acreditarem que aqueles que buscam o seu voto são do mesmo berço, comem do mesmo pão, dormem na mesma cama, andam no mesmo ônibus e metrô abarrotados, estudam na mesma escola, usam o  sistema público de saúde, enchem a laje e guardam os mesmos calos nas mãos.

Ao fim de demasiado esforço, dos "elegíveis", sobram promessas, que não serão cumpridas, para continuarem sendo as promessas da próxima eleição. Põe se à mesa, a mentira como verdade. Vale mais a ilusão que a aspereza da realidade. Como beatos criados, formados e vomitados pela publicidade midiática a falta que se deseja suprir, vira slogan. Estes são digeridos facilmente pela sociedade papagaio de pirata. Heis, então, o funeral do debate e a política fica tão fácil de se entender quanto os últimos resultados do Brasileirão da semana anterior. Todos se sentem familiarizados e a imagem é experimentada na situação concreta. O eleitorado encena, então, o seu enredo programado e se defrontam os jargões, bordões e "jingles" como se fossem encenados por caricaturas de atores de um programa de quinta como o Zorra Total.

Seguirão em procissão, todos os beatos ungidos pela publicidade política e a boca de urna televisiva para candidatos determinados. O dia 7 de outubro será o dia onde reiteraremos a nossa ruína, dentro do jogo de cena ao qual nos relegaram. Terceirizaremos, então, aquilo que temos, talvez, de maior valor em nossas efêmeras existências, no caso, o poder de sermos os donos e governarmos as nossas próprias vidas. Assim, ao invés de decidirmos sobre tudo, decidimos sobre quem irá decidir por nós.

A ilusão da inversão de poder se dissipará, tão logo seja eleito aquele que outrora dispendera tanta energia, que só encontra paralelo na dedicação e no entusiasmo de casais de recente namoro. Os eleitos rirão das nossas caras e como messias erguerão o seu Paraíso ao custo do Inferno diário de tantos milhões de populares. A simpatia, tal como, as fanfarronices dirigidas para a sedução do eleitorado, se dissolverão no ar, para que tomem o seu lugar, a truculência, a autocracia, o preconceito de classe e a crueldade, atividades de lazer tão apreciadas pelos nossos senhores de engenho.

Serão 4 anos amargos, estes que nos esperam.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Estado contra o povo


Fonte: http://www.tsavkko.com.br/2012/01/massacre-do-pinheirinho-e-preciso.html

Alek Carvalho Muito triste. Tal como nas filmagens que foram feitas em Mauá junto ao MTST, que na época OCUPAVA um terreno, cujo dono tinha divida de 1 milhão com o Estado, desta vez, a especulação imobiliária e o governo tucano (o prefeito de S. José dos Campos é do PSDB) colocaram a PM e a GCM para praticarem a única coisa que elas sabem fazer bem, no caso, bater em trabalhador.

Expulsaram 6 mil famílias que há 8 anos estavam OCUPANDO um terreno com mais de 1 milhão de metros quadrados e cujo o dono é um sujeito engravatado que ficou famoso por corromper e fraudar a Bolsa de Valores, ao mesmo tempo em que criou elos corruptores com o Estado. [[[Para maiores informações não custa se ocupar da operação Satiagraha, que investigava não só o banqueiro Dantas, mas também o Naji Nahas (o tal engravatado de quem falo acima). Esta operação foi retalhada pelo ministro da Justiça Gilmar Mendes, causou a queda de diversos homens honrados e sérios tanto na Polícia Federal (Protógenes Queiroz) como em Tribunais Estaduais (Fausto de Sanctis).]]]

Em suma, o "poder municipal" de São José dos Campos, esfaqueou o popular, apertou as mãos do corruptor e rasgou o artigo 5º da Constituição, especificamente naquilo que condiz aos incisos:
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;.
(fonte: http://www.planalto.gov.br/ccIVIL_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao_Compilado.htm)

O resultado, além das vítimas fatais e feridos com severidade, são um sem número de famílias desapropriadas. Provavelmente, elas ganharão a paliativa bolsa aluguel de 300 reais por 3 meses (que a mídia usa para mostrar o quanto os governos que elas apoiam estão preocupados com os populares expulsos, amenizando a possibilidade de um sentimento de injustiça em parte predominante da opinião pública, mas que na verdade, como todo paliativo, não servem para nada). Certo mesmo, é que não conseguirão imóvel algum para alugar com tal valor e se conseguirem só prorrogaram o inevitável, no caso, estar jogado nas ruas.

Soma-se a esta perspectiva uma ação, a meu modo de ver covarde (porque terceiriza um problema que o município deveria receber), preconceituosa e higienista, tomada pelo prefeito tucano, no caso, oferecer passagens, para que, as pessoas que habitavam o bairro dos Pinheirinhos "retornem para os seus supostos locais de origem". (Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1038255-prefeitura-distribui-passagens-para-moradores-de-pinheirinho.shtml).

O que podemos concluir de tudo isto é muito óbvio. O PSDB reitera cotidianamente em suas administrações uma tradição autoritária que remonta de tempos passados. Esta perpassa pelo controle de toda e qualquer manifestação popular de natureza diversa. Tudo isto é encoberto por um discurso que prega a eficiência, a técnica e a infalibilidade enquanto dirigentes das nossas vidas.

A questão é: até quando vamos suportar isto? Ou até onde queremos suportar isto?

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O dia em que Hamilton encarou o oficial!

Em 3 de maio de 2003 um homem disse não.

Havia uma ordem judicial. Ele, Hamilton dos Santos, 53 anos, tratorista, deixou o seu pé ceder. A máquina parou de rugir. As casas que eram alvo da dentada pá de metal ficam paralisadas sem o organismo biológico que a conduz.

Um tempo mais ganham os moradores do bairro da Palestina na periferia de Salvador. Palavra que dá nome ao lugar e não vem do tupi-guarani.

No entanto, em nome da lei o oficial de justiça o intimida. Mas o organismo biológico não é só casca. Pulsa em seu íntimo uma palavra que significa e é rara: consciência! A justiça que não é justa encontrou no pensamento de Hamilton a compreensão que a muitos faltam.

O tratorista disse novamente, sob coação e perigo de ser preso: "Não".

A autoridade que atribuímos a figuras despidas das mesmas, tão homens e mulheres como nós, mas que por estupidez escolhemos nos submeter consciente ou inconscientemente, dilui-se na ética e na moral do trabalhador intimado.

Hamilton dos Santos fora retirado da máquina em um estado de estresse emocional. Saiu ovacionado um herói pela população, tal como, escoltado pela polícia para o ambulatório local. Outro tratorista foi chamado para o despejo. O seu nome se perdeu, mas o mesmo disse: "Não!".

Foram homens que se despojaram das suas obrigações para um Estado que não se obriga a ser responsável com os mesmos.

Sobretudo, com imaginação compadeceram da dor do outro, mesmo não sendo eles os alvos da diligência.

Exerceram o seu arbítrio a favor de outrem ao invés de optarem conviver. Foram, sobretudo, humanos.

Ambos, os tratoristas, DESOBEDECERAM e os moradores do bairro da Palestina conseguiram estender o tempo do teto por sobre as cabeças das suas famílias até a próxima diligência judicial em prol de quem acumula propriedades e contra os despossuídos.


Esta história não é ficção. É real. Caso queira comprovar basta fazer uma pesquisa na internet.
Autoria: Alek Sander de Carvalho



O Dia Em Que Dorival Encarou a Guarda por tielsam
Direção: Jorge Furtado, José Pedro Goulart
Tipo: Ficção
Ano Produção: 1986
Origem: Brasil (RS)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Copa? Eu não quero.


Eu to torcendo pra dar tudo errado e não sair esta Copa!
Podem me chamar de rabuja eu não ligo!


Esta Copa do Mundo já é um fracasso. O Brasil tarda a abandonar a adolescência. Quer se exibir como um pavão para o mundo. Sindrome de vira lata encarnada. De quem quer se fazer existir para o outro. De quem quer ser reconhecido.
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Não há transe de terreiro ou descarrego que nos livre disto. Dale as favelas pacificadas no entorno do Maracanã. E no entorno das favelas? Há um Brasil inteiro! Danem-se os cariocas e os brasileiros? Não penso assim.
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Vejo uma país onde os direitos civis não foram plenamente constituídos. Vejo um Estado dirigido por uma elite cruel e preconceituosa que passa as férias na Disney e está as picas para a prestação do serviço justo para uma sociedade que do morador de rua ao mais abastado paga imposto. A vida para os mesmos passa pela janela de um carro, helicóptero ou jato.
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A nossa incoerência moral vem se aprofundando. É uma faca que aumenta a ferida e torna precária cada vez mais nossas condições de vida. Agora querem nos transformar em trabalhador chinês, para a economia ficar de bom humor.
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Não tardará a nos chicotearem para pagar uma Copa para os gringos verem. O prejuízo é todo nosso. O Brasil só ganhará dividas com ela. E como é comum sempre em tal situação, pagaremos nós, que não somos contribuintes, pois estes possuem direitos e nós não, pelas contas que aumentarão o volume do capital em Paraísos ficais.
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Já estão até tornando a fiscalização mais amena. Já vi deputado federal conclamando que os gastos não deveriam ser controlados neste momento, mas somente investigados depois, por uma CPI composta, advinhem, por companheiros deputados. O status quo não poderia ter imaginado sistema mais perfeito de autoritarismo que o nosso, que no caso, condena quem protesta e perpetua a escória no poder.
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Estamos mal.
Precisamos produzir cultura.
Senão morreremos engolidos pela globalização.

domingo, 5 de junho de 2011

Cobertura da mídia sobre um protesto legítimo

03 de junho de 2011, um sujeito que se gaba por ser representante da sociedade, sem tomar conta de que não foi eleito pela totalidade dos votantes, mas por uma maioria da massa, montado em toda arrogância e condição superior que acredita possuir e mantém com o uso da truculência policial, toma os microfones e o leva o a boca. Demonstra teatralmente, como todo aquele que se auto intitula, "representante" da sociedade, como que precisando a todo o momento, lembrá-la daquilo que realmente ele não é. Um desequilíbrio notório, na asperaza de seus gestos, e nas palavras rudes que usa. Quer mostrar a força e o apoio popular que não tem na situação.

Diz, o desgovernador ao referir-se aos bombeiros: "vândalos, irresponsáveis, que não irão de forma alguma prejudicar a imagem de uma instituição tão respeitada e querida pelo povo do Rio de Janeiro"

A pessoa em questão tem nome e embora não mereça ser tratado pelo mesmo, terei de usá-lo para tornar a crônica mais precisa: Sérgio Nazi Cabral, desgovernador do partido do latifúndio, no caso, o PMDB; que gastou 10 milhões de reais (valor declarado) para se eleger governador de um dos Estados mais ricos da Federação brasileira e "representar" a população do Rio do Janeiro em sua fala contra os bombeiros em protesto legítimo para aumentar um salário base de 950 reais.


Bem, certamente, por não participarem de decisões que influem em suas próprias vidas, os bombeiros, tal como, todos os eleitores desta democracia teatral e fajuta, não puderam fazer como o Cabral, que aumentou o seu salário em 2009: http://noticias.r7.com/cidades/noticias/deputados-votam-salario-de-sergio-cabral-20091215.html; Em 2010: http://www.paraibaurgente.com.br/detalhe_noticia.php?id=4248; e pra manter a média, certamente está esperando um clima para votar o aumento de 2011.


Alguns Anexos

O quadro acima mostra quanto o governador gastou para se reeleger governador. Um "vandalismo", o volume de dinheiro. Não fazem trabalho de base. Fazem, sim, propaganda. Não custa lembrar que o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) apresentou no dia 06 de junho de 2011, "na Assembleia Legislativa, um estudo do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual, o governo estadual deixou de arrecadar, entre 2007 e 2010, R$ 50,3 bilhões por causa de isenções fiscais concedidas a cerca de 20 mil empresas". Hummm... faz sentido agora os 10 milhões para a campanha. Será que a população cario observou um aumento nos impostos para compensar aquilo que a elite econômica deixou de pagar?

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Será que ele realmente representa os cidadãos do Rio de Janeiro?
Ao que parece, não.

E os 27 mil cariocas que foram marchar em Copacabana, em prol da causa dos bombeiros, no dia 12 de junho também parecem não reconhecer nele um representante?
Éh. Se deu mal, Cabral.

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Aqui algumas considerações carinhosas dos bombeiros ao desgovernador

Dá pra entender agora porque ele vive repetindo que é representante dos cariocas. Certamente, afirma porque não o é.

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Algumas justificativas para consideração tão carinhosa dos bombeiros e de parte da população carioca ao seu desgovernadorzinho autoritário.

Na ação de invasão do BOPE ao quartel onde estavam mobilizados os Bombeiros, foram presos 439 pessoas de forma ilegal, pois no Rio de Janeiro os bombeiros não são considerados militares, portanto, tem o direito de fazer greve, diferentemente de outras categorias policiais.

Ainda sobre a operação, vale ser dito que foram encontradas balas de fuzis, provavelmente disparadas pelo BOPE e a Tropa de Choque.

Sendo deslocados para prisão, os 439 bombeiros detidos ilegalmente, lá foram mantidos por vários dias. Aqueles considerados os líderes do movimento pelo aumento salarial. foram isolados do restante do grupo de bombeiros detidos. (http://www.redetv.com/jornalismo/portaljornalismo/Noticia.aspx?118,4,251848,126,Deputados-visitam-bombeiros-presos-no-Rio)

Há o relato de vários bombeiros de que sofreram maltratos quando detidos, tal como, privação de alimento e acomodação no chão, dentre outras atrocidades. O link ao lado é um exemplo: (http://extra.globo.com/noticias/rio/bombeiro-detido-denuncia-maus-tratos-afirma-que-manifestantes-nao-estavam-armados-1954109.html).

Logo, Sérgio Nazi Cabral merece a caracterização que fizeram dele.


Algumas descargas mentais do facistinha acima:

“Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginais”. SÉRGIO CABRAL, governador do Estado do Rio. Outrubro de 2007.

Um vídeo onde o mesmo chama os médicos de vagabundos: http://www.youtube.com/watch?v=1bgEDlGePnE.

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ABAIXO a corbertura da desinformante mídia para informar em acordo com os seus interesses. Quanto será que o governador do partido que não faz trabalho de base, pois aristocrático, logo distante da pop, tem nojo da mesma, logo, tanto melhor fazer propaganda na mídia. Opa: "Candidato à reeleição, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), publicou decreto que aumenta em R$ 35 milhões sua verba de publicidade, elevando para R$ 160 milhões a previsão de gastos do governo com esse objetivo no ano eleitoral" (http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/candidato+a+reeleicao+cabral+aumenta+publicidade/n1237636576376.html).

Tá explicado.






Notem que em todas as notícias são usados verbos que sugerem que o protesto: COMPLICA, PÁRA. Usam também INVADEM, como se fosse possível fazer isto em seu próprio local de trabalho. A Band, por sua vez, chama indiretamente os bombeiros de vagabundos que não foram trabalhar.

Após a passeata dos 27 mil até mudaram a nomenclatura que usam para definir o ato dos bombeiros e da população que os apoia.




Mas não é somente a mídia que muda o seu discurso mediante as 27 mil pessoas que ela enxerga como consumidores em potencial. Sérgio Nazi Cabral faz o mesmo, enxerga 27 mil eleitores, e imediatamente no dia seguinte a passeata, anuncia como um bom dramaturgo, sem expressões asperas e falas rudes. Ao contrário agora no papel do o bom moço e envia mensagem a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), modificando a destinação dos recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom), para que, 30% deles sejam utilizados para pagamento de gratificações aos bombeiros. As informações foram divulgadas pela assessoria do Governo ainda na noite do domingo (12 de junho de 2011). (http://tudonahora.uol.com.br/noticia/brasil/2011/06/13/144245/sergio-cabral-anuncia-gratificacao-para-bombeiros-do-rio)

sábado, 4 de junho de 2011

God on Trail - "Deus no banco dos réus"



Ficha Técnica:

Nome: Julgamento de Deus (God on Trial, UK, 2008)
Gênero: Guerra | Drama
Duração: 90 min.
Tipo: Longa-metragem / Colorido
Produtora(s): BBC Scotland
Diretor(es): Andy DeEmmony
Elenco:
Josef Altin ... Isaac
Ashley Artus ... Ricard
Dominic Cooper ... Moche
Lorcan Cranitch ... Blockaltester
David de Keyser ... Hugo
Stephen Dillane ... Schmidt
Rupert Graves ... Mordechai
François Guétary ... Jacques
Agnieszka Liggett ... Tour Guide
Louise Mardenborough ... Emily
Eddie Marsan ... Lieble
Iain McGregor ... German Guard
Joseph Muir ... Kapo
André Oumansky ... Jacob
Blake Ritson ... Idek
Jack Shepherd ... Kuhn
Antony Sher ... Akiba
Stellan Skarsgård ... Baumgarten
René Zagger ... Ezra

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Alexandre Órion

Taí um cara que vale a pena acompanhar o trabalho. O primeiro imediato contato deu-se em um Centro Cultural, na exposição de Ossário, trabalho realizado em túnel da avenida Rebouças, em São Paulo, no qual Alexandre, fez um grafite no reverso, ou melho, com os dizeres do mesmo: "ARTE MENOS POLUIÇÃO".

Deste modo, a medida que Alexandre ia limpando o túnel, crânios iam surgindo da fuligem. Como rostos que surgem de um fundo preto, mas que no caso mortos, escavada a fuligem.

Clique na imagem para acessar o sítio do criador de artes.

Clique na imagem para entrar no sítio do criador de artes.

Tenho intolerancia a intolerantes!

Uma VERGONHA! 20 MIL PESSOAS PRECONCEITUOSAS LUTANDO CONTRA DO DIREITO HUMANO DE SER AQUILO QUE DESEJA! VÃO ASSISTIR NOVELA SEUS BOSTAS!

Estive pensando quanto tempo temos até uma bala atravessar. Matutei e fiz calo na testa. Rodei o café com a colher ao que o açúcar fez-se em espuma na superfície. Tempo estranho este o nosso. Só me pergunto quando não foram.
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20 mil em frente ao palácio do Planalto. Não reclamavam: "Prato na mesa dos famintos!". "Educação esta é a solução!". "Abaixo o preço do Busão!". "Fora Willian Wack, leve o Zeca Camargo com você". "Fora corja de bandidos!". Fosse isto, estariam todos com os olhos ardendo com gás de pimenta e lacrimogêneo.
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Não. Não gritavam nada disto, os "piqueteiros". Só falava o preconceito abominável de quem tira o traseiro da sua casa. De quem sacode a inércia pra medir o mundo e deixar tudo ajustado dentro dos próprio padrões morais. Nefastos degenerados, antes se ocupassem de novelas.
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Eu nunca torci para a polícia, mas nesta manifestação me perguntei com uma ponta de maldade: "Porque não desceram a borracha no rego destes safados!" até recobrar o bom senso e relembrar o papel da polícia em nossa sociedade.
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Dúvido que tenham sido os orientais os pioneiros no fundamentalismo. Na Idade Média em nome de fanatismos queimaram-se inocentes "bruxas", bondosos pagãos e cruzaram no corpo de infiéis, espadas em nome de Cristo. Pensaram primeiro. Depois agiram. Não há desacordo entre um e outro. São, pois, indissociáveis.
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De comum com o passado só a violência gerada por fanatismos. Na mídia ganha espaço os homens bombas de turbantes. Mas aqui temos os nossos. Tão perigosos quanto. Ganhando espaço pra falar e defender o direito de manifestar publicamente formar de preconceito em prol do irrefutável artigo 5º da Constituição, esquecendo que no capítulo há uma valorização da vida e da dignidade humana. A Televisão dá o microfone e faz o espetáculo, tal como o Diário de São Paulo publicando o resultado do jogo do bicho e só falando que faz isto porque o governo federal nada faz contra o jogo proibido.
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Donos de canais televisivos e senhores das almas de tantos fiéis em dia com o carnê da Igreja. Em qual lugar da Bíblia há passagem que diga que no caminho para o céu é necessário discriminar? Pior que há, em conta de um apostolo imbecil e fraco, chamado João. Mas os pastores e os bispos do Brasil eclipsados em pensamento pelo turbante do fanatismo, preferem o apóstolo moribundo ao apóstolo Marcos, aquele que diz que amar ao outro é um mandamento até maior que amar a deus.
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Bem, certo é que amar nunca foi moda para cristãos. Dividir tampouco. Por isto o pão quando se divide é mágica. Humanamente impossível, como pegar um e dividir em 2. Cristo é uma representação. Uma projeção daquilo que pretendem dele. O garoto propaganda da Igreja, embora ainda não tenha um mangá como o papa Bento XVI (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/03/igreja-lanca-gibi-em-estilo-manga-sobre-papa-bento-xvi.html).
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De repente tudo virou propaganda. Debord já havia prenunciado. Outros tantos antes dele. Um absurdo. Tal como a defesa da manifestação de formas de pensamento que causam prejuízo a outros feitos pelo senhor Malafaia do enriquecimento ilicito e da graça de deus.
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Sinceramente dá vontade de fazer as malas. Mas não vou deixar o mundo pra esta corja de cafagestes.