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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Alexandre Órion

Taí um cara que vale a pena acompanhar o trabalho. O primeiro imediato contato deu-se em um Centro Cultural, na exposição de Ossário, trabalho realizado em túnel da avenida Rebouças, em São Paulo, no qual Alexandre, fez um grafite no reverso, ou melho, com os dizeres do mesmo: "ARTE MENOS POLUIÇÃO".

Deste modo, a medida que Alexandre ia limpando o túnel, crânios iam surgindo da fuligem. Como rostos que surgem de um fundo preto, mas que no caso mortos, escavada a fuligem.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Narrativas iconográficas

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A foto é de março de 2008, mas se disséssemos que fora tirada há anos atrás ou ainda que é atual, não estaríamos faltando com verdade, pois apesar de, como toda fotografia, ser um recorte eterno do espaço/tempo o que está retratado é mais do que corpos em movimento, feições e expressões. Estaríamos tabém reduzindo a sua complexidade se a classificássemos como mais uma foto sobre a exacerbada violência policial sobre o único alvo onde o seu trabalho alcança altos índices de eficiência. Falo do povo, das massas que com prazer são chutadas por estes sujeitos, cujos capacetes atrofiaram suas massas cinzentas até os gramas de uma azeitona. Este autoritarismo não é pontual. É sim, antes de qualquer coisa, ancestral e é isto que a imagem denuncia: O autoritarismo cultural de um Estado sem propósito contra os seus cidadãos!

sábado, 20 de setembro de 2008

Narrativas iconográficas

Foto: Cuducos - alguns direitos reservados; fonte: http://panoptico.wordpress.com/
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A imagem acima foi retirada de um daqueles espaços muito foda que se encontra pela net depois de muita garimpagem. Recomendo uma visita ao Panótpico.
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Carmesin

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ilha

foto: 2008 08 / AEK - Vida que persiste, embora sempre coagida à extinção pela atividade humana.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Instalação

Instalação de arte na praça da Sé, centro da cidade de São Paulo, a mais rica e moderna da América Latina. Eldorado dos senhores de engenho, que preservam o mesmo trato com os subalternos acorrentados e hoje só diversificaram a atividade. Não recrutam somente para o plantio da cana. Escravizam engarrafanado Coca-Cola. Em outras palavras, fomos transformados sem consentimento e com os quilos de medo que há tempos constrói a tradição, em mão-de-obra e escrava, não só mais para o deleite de algozes nacionais como também dos internacionais.
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Me pergunto: Para que tantos edifícios, tantos carros, celulares, MP4's, televisores de 40 polegadas com um centímetro de largura que podem ser pendurados como quadros? De que serve a Revolução ou a inclusão se ela é digital e tecnológica e pra quem pode pagar? Tanta modernidade, tanta civilização e não consegiu-se, não quer-se acabar com a fome, porque isso não dá lucro. Televisão e fome. Esta oposição não me parece banal, mas poderia ser composta de tantos outros substantivos.
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Lar amargo lar de tantos sujeitos apagados pelo desprezo generalizado. Quarto arejado de muitos convidados, até os indesejados. Não vou falar da rua, a-moradia de tanta gente nua de direitos, à margem da própria história. Vou deixar que a imagem acima apresente e desconstrua mitos, a modernidade e todos os outros quilates que ornam os seus pilares. Vou convidar ao olhar e ao pensamento. Nada mais. E digo que não precisamos do improbabilidade do impossível, o óbvio já nos é suficientemente revolucionário.
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Renuncio a tudo que não seja denúncia!
Alek Sander de Carvalho

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Renuncio a tudo que não seja denúncia!

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O cenário é cartão-postal. Mas no quadrado que cabe no bolso a imagem é higienizada. Limpa. Sem conflitos. Harmônica. O discurso do moderno, do progresso, do aço e do concreto em seu mais perfeito e impossível estado.
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Avenida Paulista. Onde só o poder fala, não é de se espantar que tenha eleito para prestar homenagem a uma avenida. Asfalto onde não cresce vida, metáfora da metrópole, em toda sua esterilidade. Por sobre a lama negra solidificada correm carros e seus cidadãos motorizados. A paisagem que passa em alta velocidade não se apreende. O homem moderno teme tudo aquilo que esta no quadrado de fora da janela. Por isso se protege em torres de andares privativos empilhados uns sobre os outros e veste a armadura automóvel. Não quer pisar o chão.
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O povo miserável, negro segunda cultura discriminante, índio segunda cultura generalizante, entre outras minorias que são maioria, não fazem parte da história nem têm título de cidadania, pois mal conseguem se alimentar. Estão fora da via e sob o sereno. Comprar o título de nobreza, segundo as regras do jogo, passaporte de ingresso no estado mínimo de direito reservado, somente àqueles que conseguem atingir o estado de consumidores, está fora de cogitação? Carta de motorista, atestado que condiciona a cidadania em um Estado que funciona para realizar estrategicamente os anseios da elite econômica, ahhhh isso nem pensar!
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Avenida Paulista. Cartão-postal. Metáfora da metrópole e de um poder público tomado pelo interesse privado que gasta 230 milhões para contruir uma ponte que atravessa um rio que não deve ter 30 de diametro e não constrói casas populares para cidadãos sem teto. É um horror de concreto, arranha-céus e automotores. Centro econômico da América Latina, como vive sempre se gabando. Olhar arrogante que não enxerga os arrasados do sistema, aqueles que estão nos escombros e comem do lixo. Cena que não raras vezes se presenceia não só no centro como em outros cantos desta cidade. Aliás é essa a lógica que dá o tom na metrópole. Gente de carne e osso valendo menos que um auto de aço.
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Sem mais
Autoria: Co-autoria.