quinta-feira, 10 de julho de 2008

Estão acabando com o Centro Cultural

Centro Cultural São Paulo, ou simplesmente Vergueiro para os mais íntimos. Este lugar tem algo de muito interessante. É um dos meus espaços prediletos na cidade e sem dúvida de mais um tanto de pessoas, jogadores de RPG, arquitetos da revolução, estudantes pilhados com o vestibular, moradores de rua, tocadores de violão, casais namoradeiros, poetas insanos. Enfim, é lá o lugar de todo tipo de gente. Um dos poucos de São Paulo que dá pra sentar e puxar uma conversa sem ter de pagar a entrada ou consumir algo. Alguns espetáculo seguem esta lógica. O gratuito que não é de graça. Em outras palavras, em alguns, mas só em alguns espetáculos não se paga duas vezes.
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Amo a sua arquitetura. Privilegia muito a entrada de luz natural e tenta uma espécie de síntese conjugando Natureza com aço e concreto. O resultado é uma sensação de acolhimento e os jardins contribuem muito para este efeito, que, por sua vez, não pode ser notada no seu entorno. Estão lá no meio do concreto nos locais mais improváveis, afinal ninguém espera encontrar um jardim após subir escadas ou mesmo na área de entrada para a biblioteca quebrando a luz de um vão entre duas alas.
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Mas já há um tempo vem sendo impossível ir ao CCSP sem que o incômodo anteceda o prazer que se tem pelo espaço. Antigamente tínhamos só o espaço do Graffite, como grande incômodo, espaço privado dentro do espaço público, denotando algo de muito errado. E o restaurante que denotava isso em pouco tempo viria a botar as asinhas pra fora e aos poucos fora extiguindo as mesas dos estudantes, que sem saída acabaram por se socorrer na armadilha de sentarem-se nas mesas do restaurante alienígena. Os caçadores se irritaram quando começaram a notar que os estudantes, ao invés de consumirem, estavam procurando as mesas para estender livros, estudar ou conversar, sabe, todas essas coisas que se deve fazer em um espaço público? Os argutos, então, colocaram a condição de que a permanência de estudantes ali só se justificaria se esses consumissem algo no restaurante. Absurdo.
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Mas isto, é claro, não é tudo. Ao show de horrores dá pra somar espetáculos de teatro dentro da biblioteca, no mais claro intuito de perturbar para se mostrar que algo está sendo feito. Espetáculo e nada além disso, artimanhas tão usuais no repertório de má-digestões políticas, como a do Serra (PSDB) ou Kassab(DEM;PFL) que enxergam cultura como negócio a ser gerenciado pela privado. Nas gestão destes gênios da raça, vale lembrar da reforma do piso do CCSP. Na mesma lógica das reformas das calçadas, destruiu-se o que encontrava se em perfeito estado. No caso do piso do CCSP, aquelas pastilhas durariam uns 2000 anos como os mosaicos romanos. Mas, não achavam o mesmo nossos mal-gestores. Arrebentaram com tudo e depois passaram uma mão de massa. Teve gente que adorou. Eu abominei a biblioteca fechada e a destruição/reforma de um piso que não precisava de tal obra.
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Enfim, como é de costume da elite política deste país, ouvir a massa é algo fora de cogitação. Não só fizeram o piso, como semanas depois alugaram o espaço para a realização e exploração do público pelo interesse privado. Realizaria-se ali uma feira de livro. A Biblioteca Pública incentivando a mercantilização da cultura. É de dar naúseas, não! Enfim, o saldo pós-feira foi que ao arrastarem-se móveis para servirem de suporte a mercantilização, arrebentaram com o piso.
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O resultado não seria outro senão a penalização do público novamente. Responsabilizou-se a empresa por péssima prestação de serviço, mas a partir daí nada se soube do que foi feito, senão que ficaríamos por mais uns longos meses sem a nossa biblioteca que o poder público-privado não acredita ser tão nossa. De uma forma ou de outra naquela altura ficava clara que não só a reforma fora ridícula, como fora mal feita e ainda era patético o aluguel do espaço público para exploração do interesse privado. Pior que isso, não dava pra ter horizontes otimistas. Depois disso caiu um balão no teto, foi o que disseram. Pegou fogo e os bombeiros tiveram de jogar água, que escorreu nos livros, nos discos, arquivos, filmes, entre outros. São meses para reformar o teto que tá do jeito que vocês estão vendo na foto. Que alegria.
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Maior ainda foi quando estufaram e bateram no peito: “Temos que mostrar serviço!”. Fizeram merda como já era de se esperar. Mudaram tudo de lugar, como se isso precisasse ser feito. A Biblioteca Braile ficou desativada por um longo tempo e deslocada de lugar deixou de ajudar os deficientes visuais com o elevador que estava ali somente para servi-los. Agora tem de usar seu tato para descerem escadas, pois ao que parece o elevador vai servir aos chefões, já que o administrativo instalou-se no local. Ahhh e a Gibiteca Henfil que depois de anos em frente a Biblioteca Braile também mudou de endereço.
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Realmente muito triste. Ir ao CCSP tem trazido encontros amargos. Estão mudando tudo sem necessidade alguma. Nessas situações a memória é desperta, pois algo está apagando muito rápido, como os quarteirões de alguns bairros jogados na arena para o deleite dos especuladores imobiliários. Hoje até os jardins correm risco com estes ridículos serviços de poda que assassinam, isso sim, árvores pela cidade, pois, estes terceirizados, recebem pela quantidade de serviço prestado, trocando em miúdos, de galho quebrado. E assim como vem reconstruindo a calçada de empresários depois de destruí-las, evidentemente, nosso mal-digestor do PFL/DEM quer deixar no CCSP a marca de “Kassab esteve aqui!”, para infelicidade de todos nós.

Renuncio a tudo que não seja denúncia!

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O cenário é cartão-postal. Mas no quadrado que cabe no bolso a imagem é higienizada. Limpa. Sem conflitos. Harmônica. O discurso do moderno, do progresso, do aço e do concreto em seu mais perfeito e impossível estado.
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Avenida Paulista. Onde só o poder fala, não é de se espantar que tenha eleito para prestar homenagem a uma avenida. Asfalto onde não cresce vida, metáfora da metrópole, em toda sua esterilidade. Por sobre a lama negra solidificada correm carros e seus cidadãos motorizados. A paisagem que passa em alta velocidade não se apreende. O homem moderno teme tudo aquilo que esta no quadrado de fora da janela. Por isso se protege em torres de andares privativos empilhados uns sobre os outros e veste a armadura automóvel. Não quer pisar o chão.
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O povo miserável, negro segunda cultura discriminante, índio segunda cultura generalizante, entre outras minorias que são maioria, não fazem parte da história nem têm título de cidadania, pois mal conseguem se alimentar. Estão fora da via e sob o sereno. Comprar o título de nobreza, segundo as regras do jogo, passaporte de ingresso no estado mínimo de direito reservado, somente àqueles que conseguem atingir o estado de consumidores, está fora de cogitação? Carta de motorista, atestado que condiciona a cidadania em um Estado que funciona para realizar estrategicamente os anseios da elite econômica, ahhhh isso nem pensar!
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Avenida Paulista. Cartão-postal. Metáfora da metrópole e de um poder público tomado pelo interesse privado que gasta 230 milhões para contruir uma ponte que atravessa um rio que não deve ter 30 de diametro e não constrói casas populares para cidadãos sem teto. É um horror de concreto, arranha-céus e automotores. Centro econômico da América Latina, como vive sempre se gabando. Olhar arrogante que não enxerga os arrasados do sistema, aqueles que estão nos escombros e comem do lixo. Cena que não raras vezes se presenceia não só no centro como em outros cantos desta cidade. Aliás é essa a lógica que dá o tom na metrópole. Gente de carne e osso valendo menos que um auto de aço.
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Sem mais
Autoria: Co-autoria.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Só não enxerga quem não quer

Há muito com esforço este espaço, na medida do possível lança matérias em cima de matérias. Recortar e Colar. Por vezes, os pontos de vista daquele que vos escreve ou mesmo dos nossos colaboradores. De fato são tantas as evidências que cabe salientar que já se perdeu o comedimento em se dizer que aquele que protesta deve ser tratado como bandido. Álias único trabalho a que se presta esta famigerada policia, treinados como cães em suas academias para achicoalharem pobres, trabalhadores e toda classe de pessoas que ainda lutam por um país livre desta torpe desigualdade, das maneiras mais humilhantes e severas. Tem outra batem porque não se reage. Como se reagir a história vai mudar de rumo.
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O poder público sequestrado pelas elites ecônomicas cada vez menos se incomoda em perfumar o seu velado autoritarismo. Vem à tona com isso frases do tipo da que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, soltou há um tempo atrás, ainda mediante o espetáculo do PAN e claro inspiradíssimo pelo cinema nazista vencedor do Globo de Ouro: "Tropa [da] Elite". Aumentaram assustadoramente os indíces desde então nos morros cariocas. No vai e vem do carro do IML de vez enquando pinta um coronel dizendo que "o melhor iseticida social é o SBPM", completamente em sintonia com o governador que na época dos famigerados jogos soltou que os morros são uma industria de marginais. Não esqueçamos também do juiz recém impossado na Tribunal Superior de Justiça que na mesma linha disse que a causa social deveria ser tratada na base do pau. Autoritarismo fora autorizado e a televisão privado-brasileira (inclusive as públicas) marketeia e liquidifica cérebros. Não arrisco dizer que estamos transitando da ditadura à conta-gotas para ditadura efetiva ou que talvez estejamos incomodando. De qualquer forma, não há como não notar que quanto mais o tempo corre o poder público sequestrado pelas elites ecônomicas se entusiasmam e mostram as suas asinhas com mais frequencia.
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Isto quer dizer algo!
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Vos deixo com uma matéria do Brasil de Fato, jornal impresso e sitio na internet que diferentemente da grande imprensa ainda considera que a coisa pública deve ser a popular. Tirem suas próprias conclusões. Depois a gente papeia.
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Sem mais!
Carmesin
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Matéria retirada do site da Brasil de Fato
link: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/nao-tem-jeito-tem-que-ir-pro-paredao
Não tem jeito, tem que ir pro paredão
Contribuidores: Editorial Ed. 277
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A violência só é crime, se atentar contra a propriedade privada e/ou o poder político das elites. Para o coronel Mendes (RS) o povo deve ir para o paredão
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18/06/2008
Editorial Ed. 277
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Não, o que lemos no título não é uma palavra de ordem do nosso jornal, ou de qualquer partido ou liderança da esquerda nacional ou internacional. Não se trata também de qualquer brado indignado de um bolchevique contra os desmandos, exploração, massacre ou baderna promovidos pelo capital em sua fase neoliberal. Não foi gritada por qualquer palestino da Faixa de Gaza contra miliciano israelense, ou por um iraquiano, referindo-se ao pesidente estadunidense George W. Bush. Nem mesmo por um sem-terra, cujo movimento (MST) foi identificado agora pelo ministro Paulo Brossard enquanto as Farc brasileiras. Não foi sequer o desespero de um preso de Guantânamo ou de Abu Ghraib contra seu torturador, acompanhada de uma cusparada de sangue e pedaços de dentes na cara do algoz, segundos antes de lhe aplicarem a “solução final”. Não foram as últimas palavras de Fidel Castro, ou a saudação do Che incorporado por uma médium na cidade baiana de Xique-Xique (dizem que o Che e o capitão Carlos Lamarca costumavam baixar por lá, mas que a médium agora se transferiu para Goiás).
Se assim não fosse, a senhorita Condoleezza Rice – Miss Condy – já teria baixado mais uma vez por aqui com sua trupe, deitando falação sobre a necessidade da “flexibilização das fronteiras” e do conceito de “soberania nacional” para conter o terrorismo; a grande mídia comercial teria estampado manchetes contra a infiltração comunista (no mais puro estilo guerra fria); os sites da ultra-direita e de seus coronéis de pijama teriam invadido a internet com suas asneiras anacrônicas e seus ódios sempre sincrônicos; e os partidos e associações de empresários do agronegócio já teriam soltado nota ameaçando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de “inércia, leniência e conivência” com o terror, até que lhes fosse liberada alguma propina, um cala-boca – tipo alguns milhões do FAT através do BNDES.
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Na verdade, brado retumbante partiu de um coronel tucano, bate-pau oficial da governadora tucana do Rio Grande do Sul, dona Yeda Crusius. Seu nome é Paulo Roberto Mendes, coronel feito comandante da Brigada Militar (PM gaúcha) pela governadora, que o orientou e dele exige (como se fosse necessário) a manutenção da “paz social” a ferro e fogo naquele Estado, aplastrando qualquer manifestação popular. Sobretudo aquelas que protestem contra o descalabro do governo gaúcho e, mais ainda, se tais manifestações protestarem contra a corrupção comandada pela senhora Crusius e sua quadrilha de apaniguados.
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Para que não sobre dúvida, de acordo com o coronel, quem deve ir para o paredão são os movimentos de sindicatos, camponeses, estudantes, professores – enfim, o povo, a cujas manifestações se refere o chefe militar como “baderna provocada por desocupados”.
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Por isto, certamente, nenhum “intelectual humanista de direta” (!), desses que a grande mídia comercial costuma desencavar em momentos críticos, veio a público com sua velha arenga e seu velho bordão de “os fins não justificam os meios”, ou babaquices do gênero “a violência só gera a violência” – como o fariam caso a frase fosse proferida por alguém de esquerda, visando a distribuição de riquezas e o bem estar da maioria do povo. Ao contrário: no caso do coronel, como se trata de defender a concentração de riquezas e poder nas mãos dos de sempre, certamente para a alcatéia, os fins justificam plenamente os meios: “coloquem o povo no paredão – protejam a propriedade e a corrupção”. Mais que isto, para esses mesmos personagens, a violência é um método tão justo como o foi no Brasil durante o golpe de 1964 e os anos subseqüentes, ou como nas ditaduras do Cone Sul do Continente nos anos 1970. A violência só é crime, se atentar contra a propriedade privada e/ou o poder político das elites.
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O mais cômico (não fosse trágico) é que, enquanto o coronel Paulo Roberto Mendes exibe com garbo e galhardia seu destempero, fazendo público o que seus colegas tucanos prefeririam não fosse verbalizado, mas apenas sussurrado quase como um segredo de alcova, as denúncias contra a governadora Crusius são feitas sistematicamente pelo seu vice-governador, senhor Paulo Feijó, prócer do DEM (Democratas, ex-PFL, ex-Arena), tradicional aliado do PSDB (Partido da Social-Democracia Brasileira – os tucanos). Deixar o DEM na condição de guardião da moral e probidade pública é o mesmo que amarrar cachorro com lingüiça e/ou botar a raposa para tomar conta do galinheiro.
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Mas, já que falamos das patranhas e trapalhadas do modo tucano de governar, não custa lembrar que, em São Paulo, além dos já conhecidos expedientes do Governo José Serra, que impedem a formação na Assembléia Legislativa de qualquer CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que lhe seja minimamente incômoda, o chefe do Executivo paulista acaba de vetar o projeto de lei conhecido como “Selo Verde”, que estimula as usinas a desenvolverem práticas de responsabilidade sócio-ambiental, como condição para conseguirem acesso a incentivos fiscais e recursos em bancos. O projeto de lei foi proposto pelo deputado Simão Pedro (PT-SP), e aprovado no dia 7 de maio na Assembléia Legislativa.
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Enfim, parece-nos que não tem jeito, mesmo.

Mostra 5 vezes Glauber


" '-Se entrega Corisco'

eu não me entrego não

não me entrego ao tenente

não me entrego ao capitão

eu não sou passarinho

pra viver lá na prisão!"

Sérgio Ricardo

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5 VEZES GLAUBER
20 a 22 de junho de 2008

Texto: Cinemateca
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Trinta e cinco anos depois do incêndio que destruiu seus negativos, o longa-metragem O dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha, retorna aos cinemas brasileiros em cópia restaurada. Com o filme, Glauber recebeu, em 1969, o prêmio de Melhor direção no 21º Festival de Cannes. A repercussão foi tanta que, na época, o filme ilustrou a primeira capa colorida da cultuada revista francesa Cahiers du cinéma. Considerado o maior sucesso de público da carreira do cineasta baiano, o filme conquistou grandes admiradores, entre eles o cineasta norte-americano Martin Scorsese.
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Para comemorar o retorno do clássico às telas, a Cinemateca Brasileira exibe, além de O dragão da maldade, mais quatro filmes do cineasta também em cópias restauradas: Barravento, Deus e o diabo na terra do sol, Terra em transe e A Idade da Terra.
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A restauração digital dos filmes foi realizada pelos Estúdios Mega, pela JLS Facilidades Sonoras com Cooperação Técnica da Cinemateca Brasileira. O projeto foi patrocinado pela Petrobras através da Lei Rouanet e realizado pelo Tempo Glauber e Paloma Cinematográfica.
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CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207; próxima ao Metrô Vila Mariana
Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
www.cinemateca.gov.br
Ingressos:
Infelizmente tá na base da mercadoria: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada), mas existem sessões gratuitas.
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Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.
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PROGRAMAÇÃO
20.06
I SEXTA
Sala Cinemateca BNDES
22h00
Barravento
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21.06
I SÁBADO
Sala Cinemateca BNDES
18h00
Deus e o diabo na terra do sol
20h20
O dragão da maldade contra o santo guerreiro
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22.06
I DOMINGO
Sala Cinemateca BNDES
18h00
Terra em transe
20h10
A Idade da Terra
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FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES
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Barravento, de Glauber Rocha
Salvador, 1961, 35mm, pb, 80'
Exibição em HD Cam I Sessão gratuita
Luiza Maranhão, Antônio Pitanga, Aldo Teixeira, Lídio Silva
Um grupo de pescadores de xaréu, cujos antepassados vieram da África como escravos, mantém antigos cultos místicos ligados ao candomblé. A chegada de Firmino, antigo morador que se mudou para Salvador fugindo da pobreza, altera o panorama pacato do local.
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Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha
Rio de Janeiro, 1964, 35mm, pb, 125'
Exibição em HD Cam
Geraldo d'el Rey, Yoná Magalhães, Othon Bastos, Maurício do Valle
Depois de matar o patrão, o vaqueiro Manuel e sua mulher Rosa vagam pelo sertão. Encontram um deus negro, um diabo loiro e o temível Antônio das Mortes.
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O dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha
Rio de Janeiro, 1969, 35mm, cor, 95'
Exibição em HD Cam
Othon Bastos, Mauricio do Valle, Odete Lara, Jofre Soares
Antônio das Mortes, personagem de Deus e o diabo na terra do sol, é contratado por um coronel para exterminar um bando de cangaceiros.
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A Idade da Terra, de Glauber Rocha
Rio de Janeiro, 1978-1980, 35mm, cor, 134'
Exibição em HD Cam
Maurício do Valle, Jece Valadão, Norma Bengell, Ana Maria Magalhães
Com passagens abertamente didáticas e panfletárias, o filme traz à tela personagens arquetípicas de um comportamento ou de uma situação política: um pescador marginal místico, um profeta negro, o conquistador português, o subversivo de classe média, as forças imperialistas, as nações indígenas, etc.
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Terra em transe, de Glauber Rocha
Rio de Janeiro, 1967, 35mm, pb, 105'
Exibição em 35mm
Jardel Filho, Glauce Rocha, Paulo Autran, José Lewgoy
Em Eldorado, o poeta e jornalista Paulo Martins, à beira da morte, rememora sua participação em lutas políticas. Dividido entre dois aspirantes ao poder e manipulado pela multinacional Explint, ele agoniza, sem conseguir solucionar as contradições de Eldorado e as suas, ao tentar equacionar de forma conseqüente poesia e política.

sábado, 14 de junho de 2008


"Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
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De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
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E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
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A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão".
João Cabral de Melo Neto
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"Sonho que se sonha só
é só um sonho que se sonha só,
mas sonho que se sonha junto
é realidade."
Raul Seixas
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Éhhh
Se a realidade
fosse a exata dimensão de um sonho
o mundo não seria nada estranho
e as pessoas viveriam com humor
a intensidade radiante de uma vida
inteira!
Alek Sander de Carvalho (dos primórdios)